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Published On: 8 Fev, 2022

Ave rara avistada no Parque Natural Regional do Vale do Tua

O caturro” ou zarro-de-colar é uma espécie de pato mergulhador oriundo da América do Norte, ave “nunca antes vista na zona Norte” de Portugal.

Um “caturro”, ave rara em Portugal, foi avistado pela primeira vez no Parque Natural Regional do Vale do Tua e a descoberta foi comunicada à entidade competente para confirmação oficial da observação, informaram os responsáveis pela área protegida. Trata-se de um “caturro” ou zarro-de-colar, de nome científico Aythya collaris, uma espécie de pato mergulhador oriundo da América do Norte, “nunca antes visto na zona Norte” de Portugal, como garante o Parque do Tua.

Segundo esta entidade, a identificação da espécie foi confirmada pelos técnicos da Palombar, uma associação de conservação da natureza e património rural, e especialistas nacionais. O registo foi reportado ao Comité Português de Raridades da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves para homologação oficial da observação, como informa o parque, que abrange os concelhos transmontanos de Alijo, Mirandela, Murça, Vila Flor e Carrazeda de Ansiães.

A ave foi avistada, em 31 de janeiro, nas águas do rio Tua, na zona da Brunheda, em Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança, por Rui Pereira e Nélson Domingos, este último formando do Curso de Observação de Aves que o Parque Natural Regional do Vale do Tua tem em curso.

O parque dá conta, em comunicado, que, “em Portugal, a observação desta espécie, um pato mergulhador, é uma raridade, sendo este o primeiro registo de um caturro no distrito de Bragança e um dos poucos no interior de Portugal a norte do rio Tejo”. “A presença desta espécie no território nacional deve-se à realização de movimentos migratórios durante o inverno, quando muitos indivíduos migram para escapar ao frio extremo, à queda de neve, ao congelamento de lagos e outras condições adversas, e terminam por chegar a Portugal e outros países europeus, devido à influência de diversos fatores meteorológicos e de movimentação de outras espécies”, explica.

O nome comum de zarro-de-colar “foi-lhe atribuído por ter uma mancha similar a um colar à volta do pescoço, nem sempre fácil de observar”, sendo que “as fêmeas têm uma risca branca evidente na parte distal do bico, cabeça grande e angulosa, com o topo castanho contrastante com a face mais acinzentada, anel ocular branco e uma risca branca bem visível atrás dos olhos”. O padrão de cores do corpo também é, segundo a descrição, “distinto dos zarros europeus, apresentando castanhos vibrantes nos flancos, no caso das fêmeas”, enquanto “os machos possuem cabeça preta com reflexos roxos, dorso preto, flancos cinzentos e uma cor mais esbranquiçada na zona do peito”.

Esta espécie alimenta-se, sobretudo, de sementes, caules e raízes de plantas aquáticas, mas também de insetos e moluscos. O habitat de eleição desta ave são os pântanos e lagoas de água doce, estuários costeiros, mas também rios de caudal lento, como é o caso do troço do rio Tua, onde foi avistada.

O turismo de observação de aves (‘birdwatching’) é uma das apostas do Parque do Tua, que está a criar percursos e a formar guias para este fim, em parceria com a associação Palombar. De acordo com os responsáveis, “este curso tem estimulado todos os participantes a terem um olhar mais atento e foi essa atenção e o conhecimento já adquirido que permitiu a um formando perceber a raridade da espécie que observava”.

A formação decorre em vários concelhos abrangidos pelo parque e tem como objetivo capacitar agentes locais das áreas do turismo, hotelaria, ecoturismo e conservação da natureza, para a identificação da avifauna da região, de forma a promover um maior conhecimento e valorização da biodiversidade do Vale do Tua e potenciar o desenvolvimento do território e a conservação do património natural regional.

A formação, que teve início em setembro de 2021 e termina em junho de 2022, vai contribuir para promover o estudo e a monitorização de aves na região do Vale do Tua, aumentando a recolha de dados sobre a avifauna presente e a raridade de algumas espécies.

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