Segundo a médica veterinária Sara Faria, a forma mais comum de tosse do canil é autolimitante, o que não implica tratamento médico.

Tosse do canil

A traqueobronquite infeciosa canina ou “tosse do canil” como é vulgarmente conhecida, é uma doença infeciosa aguda que afeta o trato respiratório superior e inferior dos cães.

Esta patologia é causada por múltiplos agentes etiológicos, virais e bacterianos que, por vezes, se combinam entre si, causando infeções mais severas. Os mais comuns são o vírus da parainfluenza canina, os adenovírus tipo 1 e 2 e a bactéria Bordetella bronchiseptica.

Por norma, quando apenas um agente está envolvido, o animal apresenta a forma leve da doença. Muitas vezes é autolimitante o que não implica tratamento médico. Nesses casos, resulta em sinais subclínicos do trato respiratório superior que duram em média 1 a 2 semanas. Sintomatologia mais grave pode ser observada em cães com coinfecções por múltiplos patógenos ou em casos de imunossupressão, como habitual em animais muitos jovens ou idosos.

A forma de transmissão mais comum ocorre através do contacto direto entre animais infetados, ou indiretamente através de superfícies ou objetos contaminados.

Apesar de ser mais frequente no inverno em alguns países, as alturas de calor e das férias tomam especial importância pelos comportamentos de risco dos tutores com os seus animais. As visitas a locais com alta densidade populacional de cães, como hotéis, canis e jardins públicos tornam-se mais regulares, provocando um aumento na incidência da doença nestes meses de verão. Estes locais são frequentemente afetados pela doença, pelo grande contacto entre cães, no entanto, podem também ocorrer infeções em animais de companhia alojados individualmente.

O diagnóstico é feito através da história clínica e exame físico, embora em alguns casos mais graves, seja necessário recorrer a meios de diagnóstico suplementares como análises sanguíneas, exames de imagem ou PCR para diagnóstico mais preciso.

Os sinais clínicos mais comuns são a tosse seca paroxística (curta e repetida), secreção nasal, dificuldade respiratória, febre, letargia e infeções do trato respiratório inferior em casos mais graves. Por vezes a tosse é acompanhada de movimentos que simulam o vómito, sendo que a grande maioria apresenta sensibilidade à palpação da traqueia. O diagnóstico diferencial é difícil, uma vez que os sinais são semelhantes entre as infeções causadas pelos diferentes agentes etiológicos.

A vacinação toma especial importância no controlo e prevenção desta doença, principalmente, no caso de animais que frequentam locais com alta densidade populacional. Apesar de não causar doença grave na maioria dos pacientes, é altamente contagiosa, podendo facilmente surgir surtos em instalações como canis e hotéis. Tendo isso em conta, praticamente todos estes estabelecimentos exigem a toma da vacina anual contra a tosse do canil antes da entrada do animal. Ainda assim, não estão disponíveis vacinas para todos os agentes envolvidos nesta síndrome, o que torna possível ocasionais relatos de animais vacinados que acabam por desenvolver a doença.

O tratamento pode não ser necessário nos casos mais leves, no entanto, recorre-se frequentemente ao uso de anti-inflamatórios para o alívio de sintomas e manutenção do bem-estar do animal. O uso de antibióticos pode ser necessário nos casos mais graves. Atualmente, não há terapia antiviral específica para cães com traqueobronquite infeciosa, nem recomendações publicadas para a administração de antivirais utilizados na medicina humana para combate ao influenza, pelo que este tipo de terapia não é recomendada no caso dos cães.

Pensa-se que com o desenvolvimento de novas técnicas moleculares, assim como pelo aumento das viagens de cães ao redor do mundo, que novos agentes etiológicos sejam descobertos ou relacionados com esta doença no futuro. Todos os anos se fazem novas descobertas nesta área, e destaca-se cada vez mais, a importância das coinfeções na gravidade da doença.

Uma vez que não há terapias específicas para combater os agentes virais envolvidos nesta doença e visto que as vacinas disponíveis no mercado não possibilitam imunidade completa, a prevenção da infeção com a redução de comportamentos de risco é vital para os nossos animais de companhia.

ler mais
ler mais