Desde o início do ano e até ao momento, 131 baleias jubarte encalharam nas praias do Brasil. Há quatro anos, 122 foi o número total de mortes deste cetáceo, segundo a organização não-governamental (ONG) Projeto Baleia Jubarte, que atua no país desde 1998.

De acordo com a ONG, a maior parte das mortes ocorreu no sul do estado de Santa Catarina (42), em São Paulo (36) e no Rio de Janeiro (14). “Há um aumento de casos e essa tendência ocorre porque é uma população que está a crescer. Existem baleias que morrem de causas naturais, mas também por causa de atividades humanas, como atropelamentos por navios, acabam presas em redes de pesca ou consomem lixo nos mares”, disse o coordenador de pesquisa do projeto, Milton Marcondes.

No entanto, estudos avançados sobre a morte de baleias em 2021 indicam que uma das causas é a possível escassez de krill – um pequeno crustáceo semelhante ao camarão que as baleias costumam comer na Antártida antes de empreender a sua migração anual para as águas mais quentes.

Tal como explicam, esta situação também explica a razão de grande parte dos cetáceos encontrados serem muito magros e jovens – entre 1 e 4 anos – quando ainda não estavam em idade reprodutiva.

Nos casos de mortes causadas por atividade humana, o projeto, em conjunto com as autoridades ambientais, tem trabalhado para diminuir as taxas de mortalidade através do aumento do controlo, principalmente de redes de pesca ilegais.

“Estamos a tentar reduzir a mortalidade por ações humanas, mas as mudanças climáticas que causam a falta de alimentos são mais complexas. Para isso não temos solução, pelo menos a curto prazo”, disse o especialista.

VET/LUSA

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