A Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), representada pelo seu bastonário Jorge Cid, pede um levantamento nacional do número total de animais abandonados que estão em canis legais e ilegais e outras associações. O pedido procura evitar a repetição de eventos como a morte de dezenas de animais registada há um ano num incêndio em Santo Tirso.

Perante a situação vivida a 18 de julho de 2020, na serra da Agrela, que resultou na morte de “dezenas de animais dos abrigos ilegais Cantinho das Quatro Patas e Abrigo de Paredes”, Jorge Cid, em entrevista à Lusa, “manifestou o seu descontentamento” pelo “esquecimento” e “ausência de resposta à proposta entregue ao Ministério da Agricultura em 20 de dezembro”.

O documento, que resulta da colaboração entre a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Procuradoria-Geral da República, da OMV e da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal, propõe “o levantamento nacional de todos os animais abandonados, seja em Centro de Recolha Oficial, em associações, em canis, legais ou ilegais”.

“Para que o problema se resolva de uma vez por todas”, o bastonário da OMV afirma que este levantamento deve “ser feito pelas entidades competentes”, entre as quais nomeia o “Governo, por intermédio da SEPNA [Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente], a Direção-Geral de Alimentação e Veterinárias e as câmaras municipais”.

Segundo revela, a ação de identificação de todos os abrigos já foi requerida às câmaras. No entanto, “acaba por ser insuficiente, porque muitas vezes acabam por ser elencados apenas os legais e há muitos ilegais no país”. “É preciso saber onde eles estão para se poderem tomar medidas e conhecer a dimensão do problema”, acrescenta.