Sara Faria, médica veterinária, reflete sobre os principais cuidados a ter nos primeiros 30 dias, após o nascimento do seu animal de estimação.

Cuidados básicos a ter com neonatos

Já todos tivemos contacto próximo com um amigo ou familiar, que tiveram uma ninhada, ou que encontraram bebés de quatro patas sozinhos na rua. Mas afinal quais são as necessidades destes pequenos patudos nos primeiros dias de vida?

A fase neonatal vai do período do nascimento até aos 30 dias de vida do bebé e está acompanhada de uma grande taxa de mortalidade. A hipotermia, a hipoglicemia e a desidratação compõe a chamada “tríade neonatal”, constituindo os maiores perigos que acometem os neonatos e que tomam principal importância no caso dos órfãos.

A mudança do ambiente uterino para o extrauterino exige uma adaptação fisiológica muito grande dos bebés e, por norma, as mães estão dotadas de todas as capacidades para os ajudarem na adaptação a este novo ambiente.

Quando as progenitoras estão presentes elas mesmo se encarregam das necessidades fisiológicas essenciais, mantendo os bebés aquecidos e alimentados. Nesse sentido, também se encargam de ajudar os neonatos na micção e evacuação após as alimentações, estimulando a região genital e perianal dos filhotes.

O nosso papel é proporcionar um ambiente limpo, quente e confortável à ninhada e à recém progenitora. É importante vigiar os neonatos nos primeiros dias de vida, controlando o seu peso e observar presença de secreções, sangramentos ou outras alterações que necessitem de avaliação médico-veterinária.

No caso de bebés órfãos, separados prematuramente da mãe, ou em situações que o leite materno não é suficiente para suprir as necessidades do bebé, temos de ser nós a assumir estes cuidados levados a cabo pela progenitora numa situação normal.

A alimentação pode ser assegurada através de formulações comerciais de leite de substituição adaptados à espécie em questão. A quantidade depende do peso, sendo que o mais importante é oferecer o alimento a uma temperatura semelhante ao leite materno (±38°C).

Idealmente os bebés devem ser alimentados a cada 2 horas nos primeiros dias de vida, de forma a evitar situações de hipoglicemia. Contudo, a frequência da alimentação pode ser reduzida de forma gradual, ao longo do tempo. O desmame deve ser feito a partir da 4ª semana. Ao recorrer a um biberão é importante verificar se o bebé apresenta reflexo de sucção,

Caso contrário podemos provocar pneumonias por aspiração ao forçar o alimento. Para testar este reflexo, coloca-se o dedo mindinho nos lábios da cria, verificando se o instinto de sucção está presente. Uma posição apropriada para alimentação é também importante para evitar falsos trajetos, devendo sempre que possível manter os bebés na sua posição fisiológica.

O ambiente limpo e aquecido deve ser assegurado também, uma vez que os neonatos são incapazes de regular a sua temperatura corporal ao nascimento, e sem o calor corporal da mãe para os aquecer podem não resistir aos primeiros dias, devido ao risco de hipotermia.

Outra particularidade dos neonatos é a dificuldade na evacuação e na micção espontânea. Todos os bebés da ninhada devem ser estimulados através de movimentos circulares na zona perineal, com o auxílio de uma compressa humedecida em água morna. Este procedimento mimetiza o comportamento natural da mãe e deve ser realizado sempre após cada alimentação.

De um modo geral, qualquer pessoa tem habilitação para cuidar de neonatos, mesmo sem instrução especializada. No entanto, devem ser capazes de reconhecer alterações que demonstrem perigo de vida para os bebés, recorrendo nessas situações a um médico veterinário para avaliação.

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