A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) definiu que a “zona demarcada” devido à bactéria Xylella fastidiosa, que afeta plantas, corresponde às zonas infetadas e à área da zona tampão abrangida por um raio de 2,5 quilómetros.

A determinação da DGAV foi hoje publicada no Diário da República (DR) e visa a aplicação de “medidas fitossanitárias”, estando em causa uma bactéria que foi confirmada no Norte de Portugal, mais precisamente em Vila Nova de Gaia, em janeiro de 2019.

“A zona demarcada para Xylella fastidiosa corresponde à área territorial que compreende as zonas infetadas identificadas e à área da zona tampão abrangida pelo raio de 2,5 quilómetros contados a partir dos limites das zonas infetadas”, lê-se na publicação do DR.

Quanto às áreas infetadas, são consideradas as que “incluem os vegetais que se detetaram infetados e os vegetais abrangidos por um raio de 50 metros em redor dos vegetais” afetados.

A 03 de junho, a DGAV, também através de publicação em DR, apontava que a bactéria Xylella fastidiosa foi confirmada em “sete novos locais” de Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira e Porto, razão pela qual delimitou 13 concelhos para evitar a propagação.

Nessa ocasião, foram definidas novas zonas “tampão” nos concelhos de Castelo de Paiva, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Oliveira de Azeméis, Ovar, Paredes, Porto, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Valongo e Vila Nova de Gaia, abrangendo os distritos do Porto e Aveiro.

A DGAV apontava que “são objeto de destruição imediata, sob supervisão oficial, os vegetais que foram analisados e detetados infetados pela bactéria, bem como de todos os vegetais hospedeiros da subespécie da bactéria, independentemente do seu estatuto sanitário”.

Para além disso, foi “proibida a plantação dos vegetais hospedeiros da subespécie da bactéria nas zonas infetadas, exceto sob condições de proteção física contra a introdução da bactéria pelos insetos vetores, oficialmente aprovadas”.

Em agosto de 2019, a bactéria tinha sido detetada em Vila Nova de Gaia em 32 focos e fonte da Câmara garantiu que “tudo” faria “para conter a doença e evitar prejuízos de maior”.

A bactéria, que pode afetar a cerejeira, a ameixeira, a oliveira, o sobreiro, a figueira, bem como plantas ornamentais e da flora espontânea, obrigou em janeiro de 2019 à destruição de um canteiro no Zoo de Santo Inácio, também em Vila Nova de Gaia.

A Xylella fastidiosa dispersa-se através de insetos em distâncias curtas e pelo transporte de plantas contaminadas em distâncias longas.

No dia 18 de janeiro, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, assegurou que o Governo tem um plano de contingência para fazer face à bactéria Xylella fastidiosa e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas.

Três dias depois, também o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) avisou que a Xylella fastidiosa é “perigosa”, pedindo aos agricultores para alertarem imediatamente para eventuais infeções, uma preocupação partilhada no dia seguinte em declarações à Lusa pelo presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD).

Já em maio, a Autoridade Europeia da Segurança Alimentar alertou que a praga de Xylella fastidiosa causou grandes danos às oliveiras do sul da Europa, estando a espalhar-se pelo continente.

Esta bactéria foi detetada na Europa pela primeira vez em 2013, primeiro na região italiana de Apúlia, no Sul da Itália.

LUSA

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