O presidente da Câmara de Viana do Castelo pediu ontem a inclusão do “Passo Travado” do garrano na candidatura da “Equitação Portuguesa” a Património Cultural Imaterial, para garantir “a justa representação da diversidade do património equestre português”.

Em causa está a inscrição da “Equitação Portuguesa” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, processo que se encontra em consulta pública, como consta do anúncio publicado em Diário da República no dia 2 de setembro.

De acordo com a informação que consta da página na Internet do sistema de informação de suporte ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial [MatrizPCI], o projeto de classificação foi proposto pelos municípios de Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco e Coimbra “no domínio das expressões artísticas e manifestações de carácter performativo e na categoria de manifestações artísticas e correlacionadas”.

Num anota enviada ontem à imprensa, José Maria Costa lamentou “a exclusão e ausência da devida menção ao Garrano, no pedido de inscrição da Equitação Portuguesa”, argumentando que a candidatura reflete “somente o objetivo de valorização de uma única raça e uma região”.

“Não foram convidadas a contribuir municípios detentores de valioso património equestre”, reforçou o autarca, apontando como exemplos os municípios de Alter do Chão, Vila Franca de Xira, Ponte de Lima e Alpiarça. Por esse motivo, defendeu a “imperiosa reformulação da referida candidatura” para uma “proposta mais ampla, mais inclusiva, de maior interesse nacional, mais justa, mais rigorosa e adequadamente fundamentada do ponto de vista cultural e científico”,

Neste âmbito, José Maria Costa destacou a inclusão do “cavalo Garrano, ao qual se associa a equitação tradicional do Minho e o designado ‘Passo Travado’, com significado histórico em diversos pontos dos distritos de Braga e Viana do Castelo”.

O garrano é uma raça protegida devido ao risco de extinção, havendo muito poucos no meio selvagem ou na posse de criadores, que tem membros e orelhas curtas e um perfil da cabeça reto ou côncavo. Tem a sua origem no Ibérico pré-histórico de pequena estatura que era característico das regiões montanhosas do norte da Península Ibérica, sendo considerado por vezes um pónei.

Segundo um estudo sobre a raça, realizado pela Câmara de Viana, o ‘Passo Travado’ é uma prática equestre portuguesa de origem ancestral e um dos quatro andamentos do Garrano, uma das quatro raças de equinos autóctones de Portugal.

“O risco de perda deste património imaterial que integra a identidade cultural das comunidades rurais do Noroeste Português faz da preservação do ‘Passo Travado’ um urgente desafio que se coloca no plano da investigação científica e da estratégia de desenvolvimento destes territórios”, alertou o autarca.

“O garrano será a mais antiga raça equina portuguesa, conforme evidenciado pelos mais atuais trabalhos de investigação no campo genético, arqueológico e histórico”, reforçou.

O autarca adiantou também “a ausência”, naquele projeto, “de referência e integração da aposta estratégica dos municípios de Viana do Castelo, Caminha e Ponte de Lima no turismo equestre, alicerçado no Garrano e na Equitação Tradicional do Minho”.

A raça garrana foi alvo, em 2011, de uma candidatura a Património Nacional, ainda a aguardar aprovação, num processo coordenado pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), que defende a necessidade de “preservação de recursos biológicos, valorização e divulgação da raça.

LUSA/VO

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