O projeto intitulado CETASEE tem como objetivo potenciar a investigação científica de cetáceos em Portugal, ao desafiar os portugueses a reportarem avistamentos de mamíferos marinhos como golfinhos e baleias.

A investigadora Ana Rita Luís do pólo ISPA do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), em parceria com a especialista em ciência-cidadã Patrícia Tiago, fundadora da ONG Biodiversity4all e membro do centro de investigação CE3C da Faculdade de Ciências de Lisboa, lidera este projeto que surgiu no inicio deste ano e conta já com 20 espécies identificadas.

O conceito do projeto é simples e depende apenas de três passos –  fotografar, registar e validar. Quando a pessoa avistar um destes mamíferos, apenas tem de aceder à plataforma, para fazer o registo online, ou pode ainda baixar a aplicação iNaturalist, disponível para sistemas operativos Android e iOS, gratuitamente.

Este projeto já produziu alguns resultados positivos, com mais de 800 identificações inseridas na plataforma, mais de 400 observações e 200 espécies registadas desde o início de 2020, de acordo com as estatísticas disponibilizadas no site do projecto. Segundo a investigadora Ana Rita Luís, em declarações à publicação Watts On, “já foram avistados pequenos delfínideos como o golfinho-roaz e o boto, listados na Diretiva Habitats, mas também baleias-de-bico e baleias-de-barbas, para as quais os dados existentes não permitem aferir o seu estatuto de ameaça”.

 

Abordagem já é utilizada no estudo de outros organismos marinhos

 

Ana Rita Luís refere a necessidade que ainda existe de descobrir a biodiversidade marítima portuguesa, nomeadamente os cetáceos que ocorrem na zona continental do país. “Os cetáceos são espécies-chave nos ecossistemas marinhos e indicadores de condição devido ao seu papel nas teias tróficas. Ainda assim, o número de estudos dirigidos a este grupo continua a ser reduzido”, explica a investigadora à Watts On.

Num período de constrangimentos ambientais e financeiros, Ana Rita Luís defende a emergência de “novas estratégias que ajudam a ultrapassar as dispendiosas metodologias aplicadas na investigação de cetáceos”. É com esse objetivo que a chamada ciência-cidadã surge como uma dessas novas estratégias.

“Esta é uma iniciativa baseada no ‘poder das multidões’ que já tem mais de 400 registos. Todos podem participar na (re)descoberta dos cetáceos do mar português. Fotografar, registar e validar, são os passos que podem transformar um avistamento num contributo para a ciência”, diz Ana Rita Luís como forma de incentivar a colaboração dos cidadãos.

Segundo a investigadora, esta abordagem “tem um enorme potencial, sobretudo num contexto de grande expansão dos recursos digitais, sendo uma abordagem já utilizada no estudo de outros organismos marinhos, como tubarões e raias (Projeto FindRayShark) ou medusas (Projeto GelAVista)”.

AR/Público

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