O estudo, publicado no jornal Frontiers in Veterinary Science, mostra que os cães de raça mista que pesam mais de 20 kg em adultos têm maior risco de um ou mais problemas de articulações se forem castrados antes de um ano de idade, enquanto os que pesam menos do que isso não têm risco acrescido para estas doenças.

O autor principal do estudo, o Prof. Benjamin Hart, espera que, considerando que “a maioria dos cães tem raça mista”, “este estudo influencie o processo de esterilização ou castração de forma a permitir que as pessoas com intenção de adotar cães bebés possam tomar uma decisão informada sobre quando o fazer”.

Os investigadores examinaram, para cinco categorias segundo o peso, problemas de articulações comuns, incluindo a displasia da anca, a displasia do cotovelo e a rutura do ligamento cruzado cranial, a lesão no joelho. Também olharam para os riscos de os cães de raça mista desenvolverem cancros baseando-se no peso, mas não encontraram risco acrescido em nenhuma das categorias, em comparação com cães que não tivessem sido sujeitos a castração ou esterilização.

O risco de problemas de articulações, por outro lado, para os cães mais pesados pode ser um pouco superior em comparação com cães não esterilizados. Isto é verdade para cães de raça mista de maior porte. Por exemplo, cadelas com mais de 20 kg tinham um risco de 10 a 12% se fossem esterilizadas antes de completarem o primeiro ano de vida, em relação aos 4% de cadelas não esterilizadas.

 

Estudo “levanta desafios únicos”

 

Segundo a Prof.ª Lynette Hart, também autora do estudo, “este estudo levanta desafios únicos”, dado que as pessoas que adotam cães mais jovens nos abrigos podem ter dificuldade em perceber qual o tamanho destes cães com raça mista, sem saber nada sobre os progenitores.

A decisão de esterilizar antes da adoção é um requerimento ou uma política comum em associações, abrigos ou criadores de animais. Contudo, os autores sugerem que essa política deve ser revista e adaptada/modificada de forma adequada, considerando a adoção de um padrão de esterilização a partir apenas de um ano de idade para os cães de maior porte.

Esta informação, defende Lynette Hart, é especialmente relevante para pessoas e organizações que criam cães de serviço. “Têm de olhar seriamente para estes dados. Os problemas de articulação podem diminuir a vida útil laboral destes cães e impactar o seu papel enquanto membro da família.

Um estudo anterior, conduzido por investigadores da mesma instituição, verificou que os riscos baseados na idade da castração/esterilização depende em muito da raça do animal. Os autores acreditam que esta informação deve levar a uma revisão da prática comum, nos EUA e em várias partes da Europa, de castrar cães aos seis meses de idade.

VO/Frontiers

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