Os testes de laboratório em cães e gatos estão a aumentar na Holanda, segundo avança o Diário de Notícias.

De acordo com o relatório publicado pelo Departamento de Segurança Alimentar e do Consumidor do país, em 2018 foram realizados cerca de 530 mil testes em animais, o que comparativamente ao ano anterior, corresponde a um aumento de cerca de 18%, o que em números, se traduz em 80 mil animais utilizados para estudos em universidades, hospitais e laboratórios farmacêuticos.

Segundo a entidade holandesa, 90% desses animais morreram durante os testes ou foram abatidos pouco depois.

A fundação holandesa Animal Rights, dedicada aos direitos e defesa dos animais, afirmou que é “muito triste e desnecessário que haja cães e gatos em laboratórios”. Já na bancada parlamentar, o Partido dos Animais, que conta com cinco deputados, afirmou que este é um cenário “inaceitável” e explicou ser uma situação que carece de medidas urgentes.

O governo holandês já demonstrou, no entanto, que pretende eliminar um estes testes até 2025, apesar de a ministra da Agricultura, Carla Schouten, tenha admitido, em declarações ao jornal espanhol El País, que “não será possível a curto prazo e é necessário encontrar alternativas”.

Contudo, “para os cientistas, trabalhar com animais é um “mal menor” para o benefício da humanidade, porque ainda não é possível reproduzir tumores numa placa de Petri, o recipiente usado na microbiologia para examinar o comportamento dos microrganismos”, noticia o DN.

Em comunicado, a sede holandesa do laboratório norte-americano Charles River, um dos maiores centros de testes comerciais com cães e gatos, justificou a utilização de animais “para a procura de novos remédios e terapias”.

Já em 2017 o assunto teria sido discutido em sede parlamentar por um grupo de investigadores que abordou a necessidade de reduzir o número de testes com animais, apesar de estarem convictos não ser possível erradicá-los, no total. Justificaram-se dizendo que “teriam melhores resultados se fossem testados nos animais do que em pele com células humanas criada com uma impressora 3D”.

No entanto, já em 2010, a União Europeia emitiu uma diretiva que “visa garantir a melhoria da situação dos animais que ainda são utilizados para fins experimentais”, que exige a avaliação dos projetos que recorrem a animais para testar novos produtos e fomenta a procura de diferentes opções, ou seja, apenas as instituições que demonstram o valor do seu trabalho recebem (ou não) a permissão para avançar com os testes. Posteriormente, em 2013, a Comissão Europeia proibiu a venda dentro da UE de cosméticos que tenham realizados testes em animais.

Erica Quaresma

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