Os veterinários e inspetores sanitários da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) estiveram em greve entre 16 e 20 de abril, reivindicando, entre outros pontos, a criação desta carreira especial, mesmo após o Governo ter anunciado a sua aprovação em Conselho de Ministros. Na sequência desta paralisação, o Ministério da Agricultura convocou os representantes da DGAV para uma reunião que vai decorrer esta terça-feira, em Lisboa.

Para a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), em causa está o facto de o Governo ter aprovado, na generalidade, esta carreira, antes mesmo da negociação, não tendo remetido qualquer documentação sobre a proposta para os sindicatos.

“Não nos foi enviado, juntamente com a convocatória [da reunião], a proposta de carreira”, garantiu à Lusa Orlando Gonçalves, da FNSTFPS.

De acordo com o sindicalista, esta atitude do Governo pode significar “que ainda não tinham a proposta pronta” ou que a mesma vai ser apresentada, após o debate parcial de 2018 que se viu recusada por parte da FNSTFPS por não abranger todas as categorias de inspetores.

“O Governo antecipa-se à negociação, aprova de imediato as carreiras e depois é que as vai discutir com os sindicatos. Isto não é uma forma séria de se negociae. É com o objetivo claro de se limitar a negociação […] para que o Governo consiga publicar aquilo que pretende e não o que interessa aos trabalhadores e aos serviços públicos”, defendeu.

Posto isto, a federação notou que o mais correto seria, na reunião com o Governo, apresentar a proposta e marcar um conjunto de reuniões para a debater.

“Achamos é que terça-feira nos vão apresentar uma proposta fraca, má, se não for a mesma ou outra muito parecida com a anterior [a de 2018] e isso não serve os trabalhadores. Esperamos que não seja assim, mas pelo que tem sido a postura do Governo nos últimos meses estamos há espera que seja isso que aconteça”, acrescentou.

A verificar-se, os inspetores estão dispostos a reunir-se para agendar novas formas de luta, nomeadamente, uma nova greve por um período mais alargado, comprometendo a entrega de carne aos talhos e supermercados.

“Aí o Governo vai a correr, como tem acontecido quando acontecem crises sociais. Aí já há disponibilidade para negociar, mas não havia necessidade de aí chegar porque é mau para a economia nacional, para os portugueses e, sobretudo, para os trabalhadores, que perdem imensos dias de salário”, afirmou.

Paralelamente, os inspetores veterinários encontram-se em greve ao trabalho extraordinário até ao final de julho.

Entre as reivindicações dos inspetores encontra-se também o fim da municipalização das competências da DGAV e a aplicação do despacho que define como são pagas as deslocações em serviço.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Agricultura remeteu esclarecimentos para o Ministério das Finanças que, por sua vez, indicou que foi hoje publicada no Boletim do Trabalho e Emprego a versão discutida da proposta.

LUSA / SO

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