Agricultores de vários municípios da região Centro cujas plantações têm sido destruídas por javalis e outros animais selvagens manifestaram-se hoje, em Coimbra, e exigiram que o Estado os indemnize pelos prejuízos.

Após intervenções de dirigentes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), junto às instalações da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, uma delegação dos manifestantes foi recebida pelo diretor regional.

Os agricultores entregaram a Fernando Martins uma exposição em que reclamam do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural uma “resposta favorável” às suas pretensões, no prazo de um mês.

Foi igualmente entregue ao responsável um abaixo-assinado, através do qual exigem “ser ressarcidos dos prejuízos na agricultura provocados por animais”. O documento reúne cerca de 300 signatários, segundo Isménio Oliveira, da Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO), associada da CNA.

“Estes animais, sobretudo os javalis, estão a destruir as culturas agrícolas de centenas de explorações”, disse aos jornalistas João Dinis.

Os produtores “não são inimigos dos veados, javalis e corças, nem dos caçadores”, mas recusam ser “obrigados a ter de alimentar” os animais, cabendo ao Estado ressarcir os agricultores, acentuou o dirigente da CNA.

“Há populações destes animais fora de controlo em certas regiões”, segundo os manifestantes, que pedem a intervenção do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Ministério da Agricultura e Governo.

João Dinis defendeu ainda a intervenção dos diferentes órgãos de soberania, considerando que “até o Presidente da República”, Marcelo Rebelo de Sousa, “que anda sempre a deslocar-se pelo interior, pode ter uma palavra” para que o problema seja resolvido.

Na exposição, o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, é também alertado para “o perigo real de se precipitarem problemas graves” na sanidade de animais domésticos, como os porcos, “com destaque para a peste suína africana, a partir dos javalis”.

Os manifestantes exigiram “o controlo da densidade, capacidade reprodutiva e mobilidade das populações destes animais selvagens”, com elaboração “urgente, mas participada”, de planos públicos de contingência.

A ação visou ainda assinalar o Dia Internacional de Luta Camponesa, instituído pela Via Campesina, da qual a CNA é filiada, “em homenagem às vítimas do massacre de camponeses sem-terra” do Brasil, em Eldorado dos Carajás, em 17 de Abril de 1996.

Na organização da iniciativa, estiveram igualmente envolvidas a União dos Agricultores do Distrito de Leiria e a Associação dos Baldios e Agricultores da Região de Viseu.

O diretor regional de Agricultura, Fernando Martins, não esteve disponível para falar com os jornalistas.

LUSA/SO

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