No dia 7 de abril, mais de 40 animais foram retirados de um jardim zoológico em Rafah, cidade situada na Faixa de Gaza, devido às más condições em que estes se encontravam – magros, frágeis, enjaulados e em condições de saneamento impróprias.

Foi a organização internacional Four Paws (Quatro Patas) a responsável pela sedação, retirada destes 43 animais das jaulas e pelo transporte (em camiões) para a Jordânia, através de Israel, que só foi possível após longas negociações com as autoridades israelitas, que controlam todas as entradas e saídas do território palestiniano.

Apesar de se tratar da maior operação levada a cabo pela organização, o seu porta-voz, Martin Bauer, garantiu que os animais “não estavam em grande forma, mas estavam suficientemente estáveis” para viajarem até ao destino final, uma reserva na Jordânia, a cerca de 300 quilómetros do enclave palestiniana.

“O zoo de Rafah enfrentou muitos problemas. É o mais antigo de Gaza. Muitos animais morreram, devido às condições meteorológicas e económicas, além dos problemas militares em Gaza”, declarou Amir Jalil, também da Four Paws, salientando que a situação era especialmente penosa para os predadores de grande porte, encerrados em jaulas demasiado pequenas.

Já num passado não muito longíquo, em janeiro deste ano, o jardim zoológico havia sido alvo de notícia quando quatro crias de leão morreram de frio, e pouco depois, pela divulgação das imagens de uma leoa a que estavam a cortar as unhas com tesouras de podar.

“Espero que ninguém tenha que passar pelo que eu tenho passado. Criei alguns destes animais durante mais de 20 anos e perdi-os todos num momento”, lamentou Fathi Jomaa, o dono do zoo, dizendo esperar que agora possam ter uma vida melhor.

Na Faixa de Gaza não existe legislação que permite a proteção dos direitos dos animais, pelo que chegaram a existir seis jardins zoológicos, tendo cinco deles sido encerrados devido à falta de visitantes e a dificuldades financeiras.

A situação económica no enclave costeiro palestiniano deteriorou-se desde que o movimento islâmico radical Hamas (considerado um grupo terrorista por algumas nações e órgãos de soberania europeus, como EUA e UE) subiu ao poder, em 2007, altura em que também Israel impôs um bloqueio por terra, mar e ar. Encurralada entre o Mediterrâneo, Israel e o Egito, a Faixa de Gaza é um território esgotado por guerras, pobreza e escassez.

 

Erica Quaresma

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