Tal como a maioria dos animais, os coelhos têm as suas estratégias de sobrevivência e defesa contra os seus predadores. A equipa de investigação liderada por José Guerrero-Casado, do Departamento de Zoologia da Universidade de Córdoba, em Espanha, descobriu uma habilidade muito interessante associada ao olfato destes roedores.

“O reconhecimento [de outros coelhos] nas fezes do predador permitiria que os coelhos evitassem áreas com maior risco, alimentando-se em outras áreas com menor risco de predação”, disse Guerrero-Casado à plataforma New Scientist.

Para conseguirem chegar a essas conclusões, os investigadores desenvolveram um teste em diferentes lotes de terra onde habitavam coelhos. Uma das parcelas era pulverizada diariamente com um cheiro neutro (água) como controle, enquanto que as outras duas áreas eram pulverizadas com odor extraído das fezes de furões que tinham consumido coelho ou carne bovina.

A avaliação era feita a partir do número de pellets de coelho [um tipo de ração] que sobravam na terra de forma a determinar com que frequência se deslocavam para as parcelas para se alimentar. Os resultados mostraram um menor número de pellets nas parcelas com odores das fezes dos predadores do que nas parcelas de controle.

Além disso, durante os primeiros seis dias após a aplicação do primeiro odor, o número de pellets foi menor nas parcelas com odor das fezes dos furões que tinham comido coelho em comparação com os que consumiram carne bovina. Contudo, passados três dias essas diferenças já não se verificavam.

Os resultados indicam que, pelo menos a curto prazo, os coelhos podem ser capazes de detetar o cheiro de coelhos nas fezes dos furões, levando-os a evitar áreas nas quais seus predadores vagueiam.

“A seleção natural forneceu aos animais os mecanismos que permitem detetar predadores antes de serem atacados, e este é um novo mecanismo; menos estudado, mas com grandes vantagens”, afirmou Guerrero-Casado.

No futuro, os investigadores esperam perceber como é que os coelhos são capazes de identificar os seus parentes falecidos através das fezes dos predadores.

O artigo foi publicado este mês na revista Acta Ethologica.

Vet-Online

ler mais