Em declarações à Lusa, o deputado municipal do PAN, Albano Pires, explicou que a iniciativa não é do partido, mas sim de um grupo de cidadãos, na sequência de uma “polémica captura de animais” em Santa Cruz do Bispo feita pela câmara, em terrenos da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).

A vigília, que está a ser anunciada na página oficial do PAN de Matosinhos, Maia e Porto na rede social Facebook, irá decorrer das 19:00 às 21:00 no Parque Basílio Teles, em frente à Câmara Municipal de Matosinhos.

Albano Pires entendeu que se deve pensar na criação de parques de realojamento para cães que, após terem sido abandonados, se agrupam em matilhas, modelo que já está a ser implementado noutros concelhos do país.

Outra das soluções apontadas é a captura de animais, esterilização e devolução ao local. “Se se fizer isto, daqui a quatro ou cinco anos o problema está resolvido porque eles deixam de se reproduzir e tem um final de vida digno”, considerou.

Lembrando que os canis estão lotados, Albano Pires referiu que este problema é “metropolitano”, defendendo que as políticas municipais no âmbito da proteção animal envolvam os cuidadores particulares, as associações de proteção animal, autoridades e a sociedade civil.

Relativamente aos animais capturados em Santa Cruz do Bispo, o deputado contou que, na terça-feira, juntamente com a presidente da câmara e da assembleia municipal e o vereador do Ambiente visitou o centro de recolha para onde esses foram levados, verificando não estarem “feridos”.

Contactada pela Lusa, a câmara disse estar “naturalmente disponível para conversar com os organizadores da eventual vigília”.

“A recolha dos animais da referida matilha foi apenas interrompida de acordo com o plano traçado, uma vez que a o espaço para receber os animais no centro de recolha é limitado”, frisou.

A autarquia explicou que os cães compunham uma “matilha perigosa” que se havia instalado em Santa Cruz do Bispo e que esteve na origem, ao longo dos últimos meses, de diversas queixas às autoridades por parte de cidadãos atacados por aqueles cães, incluindo crianças de uma escola próxima.

“Após várias tentativas frustradas para recolher os animais com recurso aos métodos convencionais, a Câmara Municipal de Matosinhos recorreu, desta vez, a uma empresa especializada, tendo a operação de captura sido acompanhada pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária e pela Ordem dos Veterinários”, sustentou.

Os animais recolhidos estão no centro Causa Animal e nenhum apresenta qualquer tipo de ferimento, estando a ser reabilitados para serem entregues para adoção.

Em comunicado, após esclarecimentos pedidos pela Lusa, a APDL salienta que os terrenos nos quais se encontravam os animais capturados fazem parte da Plataforma Logística de Leixões.

“Nesta área, apenas os lotes logísticos estão vedados. Os lotes de serviços e equipamentos, assim como algumas áreas verdes de proteção ao loteamento, ficam localizados no exterior do perímetro vedado”, ressalvou.

E acrescentou: “a promoção do bem-estar social da comunidade onde estamos inseridos é uma das variáveis de responsabilidade social que temos muito em conta. No entanto, neste caso, não poderíamos vedar os respetivos lotes verdes e a melhor solução encontrada foi, inevitavelmente, pedir apoio ao centro de recolha de animais”.

LUSA

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