O nome que escolhe para o seu animal de estimação estará associado a ele durante toda a sua vida.

Os cães e os gatos reconhecem o próprio nome?

Tanto cães como gatos são capazes de aprender o seu nome. Isso não significa que eles saibam que aquela palavra os designa a eles próprios. Ou seja, eles aprendem a responder àquela palavra, àquele som, como um comando. Mas não compreendem o conceito de ter um nome. Para isso, precisavam de ter o conceito de si mesmo.

E como sabemos que não têm?

O teste padrão da auto-consciência é feito através da colocação de um animal em frente a um espelho. Num teste clássico (feito por profissionais), o animal é anestesiado e é pintada uma marca num sítio do seu corpo que ele normalmente não vê. Quando o animal acorda, é então colocado em frente a um espelho.

Se o animal toca na marca e começa a explorá-la no seu corpo, guiando-se pelo espelho, isso é um indicador que o animal percebe que a imagem refletida no espelho é ele próprio, e não outro animal.

Os cães e os gatos não reconhecem que a imagem no espelho é a sua própria imagem. Na verdade existem poucos animais a passar no teste. Um elefante-asiático, alguns primatas, orcas e golfinhos são as exceções. Os bebés humanos, por exemplo, não passam no teste do espelho até atingiram vários meses de idade.

E que tem isto a ver com a escolha do nome para o meu animal?


Simples. Como os cães e os gatos conseguem aprender o nome mas não sabem que aquela palavra é o seu nome, não é recomendável chamar-lhes qualquer coisa ao acaso. Devemos dar-lhes um nome capaz de os cativar, alertar e ao qual eles consigam responder facilmente.

Existe evidência científica sobre como escolher o melhor nome?

Existe. Desde logo, está demonstrado – até mesmo por experiência própria – que cães e gatos reconhecem o nome e a voz do dono
Se o seu gato parece nunca aprender o nome e não responder quando é chamado, não se preocupe. Ele sabe o nome. Ele sabe que você o está a chamar. Ele simplesmente decidiu ignorá-lo.

É isso mesmo que nos diz um estudo publicado em 2013, da autoria de Atsuko Saito e Kazutaka Shinozuka.

Os gatos reconhecem a voz do seu dono e sabem quando estão a ser chamados, mas… podem decidir ignorar. E na maior parte dos gatos estudados, foi mesmo isso que aconteceu (ainda que os gatos tenham um vasto currículo de não cooperação com estudos científicos).

Este facto é explicado com as diferentes histórias de domesticação que os cães e os gatos tiveram. Os cães foram domesticados e treinados para seguir as nossas ordens, os gatos praticamente domesticaram-se a eles próprios e sempre tiveram liberdade total.

Alguns conselhos científicos para escolher o melhor nome para o seu cão ou gato

A ciência diz-nos que existem nomes mais apropriados (e outros menos) para chamar o seu animal.

Nomes que incluam a vogal “i” são geralmente chamados num tom mais alto, agudo e energético. Isto permite ativar mais recetores de áudio no cérebro do animal, captando melhor a sua atenção.

Os próprios gatos dão-nos essa dica, pois o miado deles quando falam connosco é num tom agudo. É a melhor forma de chamar a atenção.

Nomes com consoantes fortes, como o “s”, “c” ou “k”, e/ou que terminem numa vogal, também parecem obter melhores respostas por parte dos animais.

O número de sílabas é igualmente importante. No treino e nas competições com cães, os treinadores e os handlers preferem chamar-lhes nomes curtos de uma sílaba ou duas (em que a primeira já lhes cativa a atenção).

É verdade que pode existir algum orgulho ou glamour num nome longo e pouco usual. Por si só não tem nada de errado. Simplesmente pode não ter o mesmo efeito de alerta, ou o seu animal de estimação pode demorar mais tempo a aprende-lo.

Quando maior o tempo de intervalo entre o início do nome e a recompensa, mais repetições poderão ser necessárias até que o cão reconheça o nome e aprenda que aquele nome (longo) é apenas um comando. Um nome curto torna o processo mais simples.

Existe sempre a alternativa de escolher um nome longo como oficial, mas no dia a dia utilizar um diminutivo mais curtinho e fácil de decorar.

Você também é parte importante da equação, pela forma como pronuncia o nome do seu animal.

Stanley Coren, professor emérito de psicologia da Universidade da Colúmbia Britânica e autor de diversos livros sobre comportamento canino, encontra um equilíbrio nos nomes de duas sílabas.

Segundo Coren, um nome de duas sílabas é melhor do que uma só sílaba, uma vez que permitem uma entoação variável da palavra e, com isso, transmitir emoção. Ou seja, você pode chamar o nome de forma mais afetuosa, mais assertiva, ou mais urgente, dependendo da situação.

Segundo Alexandra Horowitz, especialista em cognição canina, é mais importante para um cão a forma como o nome é chamado, do que o nome em si.

Horowitz vai de encontro ao que Coren afirma, explicando que um nome de duas sílabas tanto pode ser chamado de forma ascendente (tom mais agudo) ou descendente (mais suave). O animal percebe melhor quando é chamado com propósitos diferentes.

REfira-se que stá cientificamente demonstrado que os gatos preferem a voz feminina à voz masculina.

Nomes que deve evitar chamar aos seus animais

Horowitz recomenda que você escolha um nome que lhe seja fácil de pronunciar, e que não se importe de repetir inúmeras vezes, ao longo de vários anos.

Se é importante o seu animal associar o nome a algo positivo, também é importante que isso aconteça consigo. Você deve ficar feliz, e não incomodado(a), quando chama o seu animal.

Pense, se eu estiver num parque cheio de gente a passear o meu cão, vou ficar embaraçado(a) por o chamar em voz alta? Se sim, risque esse nome. Não serve.

Também é importante o nome não se assemelhar a outras palavras que o seu cão ou gato ouça diariamente em casa. Por exemplo, um nome que soe de forma parecida a um “não” (como João), ou a “fica” (como Tica), pode confundir o animal. Está a chamá-lo? Ou a dar-lhe uma ordem?

Da mesma forma, não deve chamar o seu animal constantemente num contexto negativo e de punição. Se isso acontecer, sempre que chamar o seu cão ou gato, vai acionar nele uma resposta de medo, ainda que não seja essa a sua intenção.

A melhor forma de ensinar o seu animal a aprender o seu nome é precisamente a contrária: num contexto positivo, de recompensa, seja comida, carinho ou outra coisa que o animal goste.

Por fim, não é aconselhável dar o nome de uma pessoa ao seu animal, ainda que seja uma prática popular. Num grupo de pessoas, seja na rua ou com convidados em sua casa, alguém pode ter o mesmo nome e ser criada ali uma situação desconfortável.

Existe ainda a armadilha de antropomorfizar o seu animal ao dar-lhe um nome humano. O que esse “palavrão” significa é que pode ganhar a tendência e o hábito de atribuir características humanas ao seu cão ou ao seu gato, o que geralmente não leva a bons resultados.

Posso mudar o nome ao meu animal?

Depende da situação. Regra geral, não o deve fazer, pois teria de ser feita toda uma nova aprendizagem e habituação ao novo nome

Mas, como em todas as situações, existem exceções. Por exemplo, se tiver adotado um animal que venha de um contexto difícil, numa casa em que tenha sofrido maus-tratos, ou que esteja em processo de correção de comportamento (como socialização), o ideal é cortar tudo o que possa lembrar o passado. A começar pelo nome.

Se desconhecer a origem do animal no momento de adoção, dê-lhe um novo nome na mesma.

Um novo nome encaixa na perfeição numa vida nova, sobretudo para esquecer a anterior.

E o nome ideal para o seu novo cão ou gato é…

…uma escolha sua. Existem listas de nomes possíveis disponíveis na internet. Mas essas listas são consultadas por toda a gente. Você quer mesmo escolher aquele nome tão popular que metade dos outros donos também escolheram para os seus animais? Num espaço público com outros cães, é capaz de se tornar caricato quando o primeiro for chamado.

Você pode escolher melhor, o melhor nome do mundo para o melhor animal do mundo.

Para começar, não se obrigue a escolher no primeiro dia. Tome o seu tempo.

Observe o animal, o seu comportamento, a personalidade que vai demonstrando. Como ele reage consigo, como interage com o ambiente, outras pessoas, como brinca, se é mais cuidadoso, ou então trapalhão. Comece a reconhecer aqueles pequenos hábitos que o diferencia de todos os outros.

Tenha em conta a sua cor, a sua raça (se tiver), a sua história (se a conhecer), algum pormenor que lhe seja único. Como aquela manchinha peculiar no bigode.

Aponte as sugestões que outras pessoas da casa deem. Afinal, todas as pessoas da casa vão ter de lidar com o nome escolhido. Ninguém se deve sentir constrangido a chamar o animal pelo nome.

Faça uma pequena lista de possíveis nomes, e aplique as sugestões científicas que lhe deixamos neste artigo. O resultado final é aquele. Não por ser o mais popular. Não por aparecer em todas as listas. Por ser aquele que encaixa que nem uma luva no seu animal, por ter significado, por ser mesmo a cara dele, e que vai com certeza adorar.

 

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