“Sentíamos uma grande dificuldade com jovens pré-adolescentes que, por passarem por vários processos de promoção e proteção em idades diferentes, recusavam os psicólogos e tínhamos de encontrar uma solução que reatasse essa ligação”, justificou a presidente da CPCJ de Mafra, Maria Manuel Oliveira, em declarações à agência Lusa.

A CPCJ e o Juízo de Família e Menores do Tribunal de Mafra estabeleceram, em maio, uma parceria com a organização Pet B Havior, que trabalha o comportamento animal e os contributos que os animais podem dar aos humanos.

“A nível de promoção e proteção, é a primeira vez que se usa estas terapias em Portugal”, referiram, adiantando que se trata de uma “nova hipótese terapêutica de encaminhamento dos jovens”.

Por semestre, a CPCJ tem em média três centenas de processos de jovens em risco e, destes, “metade pode ser encaminhada através deste projeto”, explicou a presidente.

Face à limitação de meios técnicos, apenas seis jovens, com processos abertos por problemas de violência doméstica, tentativa de suicídio, absentismo escolar, consumos de estupefacientes e alienação, estão a ser seguidos desta forma.

Passados quatro meses, “todos os processos que entraram neste método de trabalho tiveram resultados positivos”, garantiu Maria Manuel Oliveira, dando o exemplo de uma criança que não falava com pessoas desconhecidas, com as quais só comunicava por gestos.

“Quando entrou na sala de terapias [em contacto com o cão], não se calou. Foi uma das primeiras [a beneficiar da terapia], está a fazer muitos progressos e já a começámos a ouvir”, disse.

O Juízo de Família e Menores de Mafra começou a reencaminhar um caso para esta terapia e pediu apoio para mais seis. Os custos das terapias são suportados pelos agregados familiares, quando têm possibilidades económicas, ou pela Segurança Social.

LUSA

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