À semelhança de algumas pessoas, que tentam diminuir o consumo de alimentos processados e estão a voltar a adotar uma alimentação mais natural, também há donos de cães que estão a deixar de alimentar os animais com rações e apostam no regresso a uma alimentação à base de carne crua.

Pese a tendência, um estudo recente, divulgado em janeiro deste ano, voltou a levantar a questão sobre os benefícios do consumo de carne crua. Publicado na revista Veterinary Record, este estudo concluiu que essa prática é prejudicial não apenas para a saúde dos cães, como também para a dos humanos. Os investigadores analisaram 35 produtos de carne crua congelada de oito marcas diferentes.

Em 28 produtos (80%), foi encontrada a bactéria E. Coli, que habita normalmente o intestino humano, e em alguns casos pode ser mais nociva e causar infecções intestinais; A listeria monocytogenes, uma bactéria que pode provocar meningite, foi encontrada em 19 (54%). A salmonella typhi responsável pela febre tifóide, estava presente em sete produtos (20%). Estas bactérias e parasitas encontrados nos alimentos analisados são mais prejudiciais à saúde humana do que à dos cães. A febre tifóide, por exemplo, é uma infeção restrita aos seres humanos.

Contudo, apesar de os cães serem mais resistentes a estas infeções, a ingestão de carne crua comporta vários riscos para os animais e os benefícios são limitados. A professora de Ciência Animal da Universidade de Nottingham (no Reino Unido), Jacqueline Boyd, refere a existência de alguns estudos, ainda pouco sustentados, que indicam que a carne crua não fornece o valor nutricional recomendado pelos veterinários.

A posição da comunidade veterinária é, regra geral, desfavorável a este tipo de dieta. Os veterinários consideram que a alimentação industrial, baseada em rações é a mais indicada, uma vez que é equilibrada do ponto de vista nutricional. Para além disto, e como mostra o referido estudo, existe o risco de os animais desenvolveram infeções causadas pelas bactérias e parasitas contidos na carne crua. Há ainda um outro perigo: os cães podem tornar-se portadores destas bactérias e disseminá-las através das fezes, o que potencia o risco de transmissão aos humanos.

“Gatos e cães que comam carne crua também são mais propensos a serem infetados com bactérias resistentes a antibióticos, o que pode representar um sério risco para a saúde animal e pública”, alerta o professor de Medicina Veterinária Paul Overgaauw, da Universidade de Utrecht (na Holanda).

Por outro lado, alguns estudos que sugerem que comer carne crua melhora o processo de digestão dos animais de companhia. O pequeno segmento de veterinários que recomendam este tipo de dieta defendem que as rações contêm toxinas que prejudicam a saúde dos cães (como o nitrato de sódio, aromatizantes, corantes) e que a carne crua fortalece o sistema imunológico e reduz os problema dentários, o odor corporal e o mau hálito.

Vet-Online

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