Sónia Araújo falava na Cidade da Praia, ilha de Santiago, durante a conferência “Somos a voz dos que não podem falar”, organizada pelo Movimento Civil para as Comunidades Responsáveis (MCCR).

Durante o evento, que decorreu na Assembleia Nacional cabo-verdiana, Sónia Araújo alertou para a necessidade de se atualizar o decreto regulamentar (7/2002) que protege as espécies marinhas em Cabo Verde.

“Precisamos hoje de atualizar e trabalhar esse decreto lei com medidas específicas, nomeadamente, sobre a investigação”, disse, sublinhando que Cabo Verde é um país “muito procurado por investigadores nacionais e internacionais” e que este aspeto deve ser contemplado na legislação. Por outro lado, defendeu a necessidade de se atualizar a classificação das espécies.

Sobre a fauna marinha cabo-verdiana, um dos aspetos focados pela bióloga durante a sua intervenção foi os corais, espécie “muito frágil e sensível” que tem sofrido com a pesca destrutiva, uma vez que em alguns locais ainda são utilizados explosivos para pescar.

A descarga de águas residuais e as espécies invasoras que chegam através do lastro dos navios (água nos porões dos barcos para dar peso, libertadas onde os navios atracam) são algumas das ameaças com que os corais se deparam, a par do aquecimento global e das tempestades.

Segundo a Estratégia e Plano de Ação Nacional sobre a Biodiversidade (2014-2030) da Direção Geral do Ambiente, fazem parte da fauna marinha de Cabo Verde cinco espécies de corais. “Cabo Verde é considerado como um importante hotspot (ponto de acesso) quanto à diversidade de corais e um dos 10 lugares prioritários, a nível mundial, para a conservação dos habitats coralinos”, refere o documento.

Em relação aos invertebrados de pequeno porte, “observam-se 93 espécies de crustáceos marinhos (Amfípodes, Copépodes) e 42 espécies de moluscos bivalves filtradores. Cerca de 50 espécies de gastrópodes marinhos do gênero Conus são endémicas do arquipélago. Além disso, todo o arquipélago é considerado pela uma importante área de aves (IBA) e a segunda a maior área de nidificação no Atlântico Norte da tartaruga comum (Caretta caretta)”.

Os autores consideram que, “além de sua importância ecológica, a biodiversidade terrestre e marinha de Cabo Verde é um recurso natural que deve ser também avaliado pela sua importância económica, pois suporta atividades importantes como a agricultura, a pesca, o turismo e algumas indústrias, assegurando assim, o crescimento económico e o bem-estar da população”.

A conferência fez parte do plano de ação do Movimento Civil para as Comunidades Responsáveis em Cabo Verde, promotora do evento. Além da vida marinha, o evento pretendia abordar a vida selvagem na terra e a questão da gestão da população animal em Cabo Verde.

LUSA/VO

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